{"id":9374,"date":"2005-02-13T06:06:37","date_gmt":"2005-02-13T05:06:37","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.cronicaelectronica.org\/?p=9374"},"modified":"2005-02-13T06:06:37","modified_gmt":"2005-02-13T05:06:37","slug":"two-novels-gaze-in-the-cochlea-reviewed-by-bodyspace","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/blog.cronicaelectronica.org\/?p=9374","title":{"rendered":"\u00e2\u20ac\u0153Two Novels: Gaze \/ In the Cochlea\u00e2\u20ac\u009d reviewed by Bodyspace"},"content":{"rendered":"<p>\u00c3\u2030 agachado e de bra\u00c3\u00a7os estendidos que procedo a esta resenha. O corpo aponta para o Porto, pois \u00c3\u00a9 l\u00c3\u00a1 que est\u00c3\u00a1 sediada a Cr\u00c3\u00b3nica &#8211; exemplar impulsionadora de electr\u00c3\u00b3nica de vanguarda que, a cada lan\u00c3\u00a7amento, nunca garante menos que um experi\u00c3\u00aancia \u00c3\u00banica armazenada em inv\u00c3\u00b3lucro de refinado requinte gr\u00c3\u00a1fico. Geralmente, grande parte do que aqui se estranha progressivamente se entranha. Entenda-se cada nova adi\u00c3\u00a7\u00c3\u00a3o ao cat\u00c3\u00a1logo da Cr\u00c3\u00b3nica como um esclarecedor fasc\u00c3\u00adculo pertencente \u00c3\u00a0 grandiosa colec\u00c3\u00a7\u00c3\u00a3o &#8220;Tudo o que preciso de conhecer para melhor assimilar o que a\u00c3\u00ad vem&#8221;. Tal como qualquer jun\u00c3\u00a7\u00c3\u00a3o aleat\u00c3\u00b3ria de &#8220;blips&#8221; e &#8220;cracks&#8221; n\u00c3\u00a3o constitui Avant-Garde de qualidade, tamb\u00c3\u00a9m muita da nova electr\u00c3\u00b3nica n\u00c3\u00a3o chega a ser aconselh\u00c3\u00a1vel. Pois fiquem descansados, meus caros leitores, porque o produto da Cr\u00c3\u00b3nica merece o t\u00c3\u00adtulo de nova tend\u00c3\u00aancia por excel\u00c3\u00aancia. Ao tradicional &#8220;a galinha da vizinha \u00c3\u00a9 sempre melhor que a minha&#8221; contraponha-se um prov\u00c3\u00a9rbio de recurso: &#8220;da electr\u00c3\u00b3nica que \u00c3\u00a9 nossa ningu\u00c3\u00a9m faz tro\u00c3\u00a7a&#8221;. Bem sei que alguns dos contribuidores s\u00c3\u00a3o estrangeiros mas &#8211; fala o bairrismo &#8211; o quartel \u00c3\u00a9 lusitano!<\/p>\n<p>O.Blaat (Keiko Uenishi de baptismo) faz do seu minimalismo de redoma um tubo de ensaio cosmopolita ao qual todos os intervenientes podem juntar a sua f\u00c3\u00b3rmula. A equipa de especialistas \u00c3\u00a9 de primeira linha: entre muitos outros, Kaffe Matthews, dj Olive e o violinista Eyvind Kang (que ainda este ano tivemos a oportunidade de ver ao vivo na Aula Magna pela m\u00c3\u00a3o dos Fant\u00c3\u00b4mas). Inspirada pelos ru\u00c3\u00addos em estado bruto absorvidos a um qualquer apartamento de Brooklyn(onde mora actualmente), o.blaat tece o seu manto de herm\u00c3\u00a9ticas variantes do nada. Two novels, dividido entre Gaze e In the colchea, \u00c3\u00a9 uma objecto conceptual dois-em-um. \u00c3\u2030, al\u00c3\u00a9m disso, um imponente tratado de &#8220;storytelling&#8221; abstracto e corcunda, no sentido de ser imperfeito e simultaneamente d\u00c3\u00b3cil.<\/p>\n<p>Gaze lan\u00c3\u00a7a no ar oito p\u00c3\u00a9talas potencialmente acusm\u00c3\u00a1ticas que acabar\u00c3\u00a3o por adormecer no esplendor da relva. &#8220;One morning&#8221; \u00c3\u00a9 imparavelmente epil\u00c3\u00a9ptico. Galopam a trote as texturas ruidosas que convergem em un\u00c3\u00adssono. Baralham-se os sentidos enquanto o p\u00c3\u00b3len se espalha. &#8220;Egg salad sandwich&#8221; \u00c3\u00a9, tal como nome indica, um denso equ\u00c3\u00advoco de m\u00c3\u00baltiplos ru\u00c3\u00addos misturados numa salada confeccionada ao ritmo alucinante da montagem de &#8220;Requiem for a dream &#8211; A vida n\u00c3\u00a3o \u00c3\u00a9 um sonho&#8221;. No seu enquadramento esf\u00c3\u00a9rico, &#8220;Gone fishing&#8221; serve de gen\u00c3\u00a9rico \u00c3\u00a0 &#8220;Quinta das electricidades&#8221;, onde o. blaat e DJ Olive exp\u00c3\u00b5em o resultado da sinergia entre frequ\u00c3\u00aancias intermitentes e aquilo que parece ser o grunhido de um porco.<\/p>\n<p>Por meio de meticuloso arb\u00c3\u00adtrio da est\u00c3\u00a1tica e sui\u00c3\u00a7a cronometragem do tempo a ceder a textura y ou x, o.blaat ensaia as suas micro-narrativas na senda de uma realidade obl\u00c3\u00adqua onde o mascar do caruncho prepondera ao rosnar do le\u00c3\u00a3o. Todos estes s\u00c3\u00a3o \u00c3\u00adnfimos fen\u00c3\u00b3menos da zoologia e bot\u00c3\u00a2nica que, observados \u00c3\u00a0 lupa, servem de fotoss\u00c3\u00adntese a esta orqu\u00c3\u00addea digital.<\/p>\n<p>Destinado a ser auscultado em vez de escutado a ouvido nu, In the colchea desafia a conven\u00c3\u00a7\u00c3\u00a3o de um John(Lennon)(imortalizada nas palavras &#8220;Say what you mean, make it rhyme, and put a beat to it&#8221;) em favor da de outro(Cale), que nega a exist\u00c3\u00aancia do sil\u00c3\u00aancio. Sucedem-se logicamente nove exerc\u00c3\u00adcios onde a cacofonia (oi\u00c3\u00a7a-se &#8220;Eight-o) e os extremos s\u00c3\u00a3o agentes de um objecto que procura estimular o aparelho auditivo (podendo at\u00c3\u00a9 feri-lo se escutados acima de determinado volume), e consegue-o plenamente.<\/p>\n<p>Escutar Two novels:Gaze\/In the colchea \u00c3\u00a9 como levar a cabo um jogo de Mikado cerebral que op\u00c3\u00b5e os nossos sentidos \u00c3\u00a0 imagina\u00c3\u00a7\u00c3\u00a3o de o.blaat. A cada pauzinho cuidadosamente retirado, mais uma por\u00c3\u00a7\u00c3\u00a3o de um imagin\u00c3\u00a1rio que n\u00c3\u00a3o se disp\u00c3\u00b5e a diagn\u00c3\u00b3sticos concretos. Desabrochou uma linda flor no jardim da nova electr\u00c3\u00b3nica.<\/p>\n<p>Miguel Ars\u00c3\u00a9nio<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00c3\u2030 agachado e de bra\u00c3\u00a7os estendidos que procedo a esta resenha. 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