{"id":9390,"date":"2004-07-19T00:58:34","date_gmt":"2004-07-18T23:58:34","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.cronicaelectronica.org\/?p=9390"},"modified":"2017-01-16T10:16:08","modified_gmt":"2017-01-16T09:16:08","slug":"product-03-reviewed-by-bodyspace","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/blog.cronicaelectronica.org\/?p=9390","title":{"rendered":"\u00e2\u20ac\u0153Product 03\u00e2\u20ac\u009d reviewed by Bodyspace"},"content":{"rendered":"<p>Um cyber-vulc\u00c3\u00a3o expele uma lava composta por n\u00c3\u00bameros bin\u00c3\u00a1rios numa m\u00c3\u00a9dia-metragem a preto e branco. Os compositores da banda-sonora d\u00c3\u00a3o pelo nome de Ok.Suitcase e C\u00c3\u00a1ncer, e o est\u00c3\u00badio respons\u00c3\u00a1vel pelo lan\u00c3\u00a7amento \u00c3\u00a9 a Cr\u00c3\u00b3nica \u00e2\u20ac\u201c cada vez mais empenhada em promover electronica de qualidade, e merecedora da recente exposi\u00c3\u00a7\u00c3\u00a3o de que tem vindo a gozar. Tal como o nome indica, Product 03 \u00c3\u00a9 o terceiro tomo da s\u00c3\u00a9rie Product. Sem complexos e com a magnific\u00c3\u00aancia de quem sabe bem o que quer e os meios para tal alcan\u00c3\u00a7ar, faz-se cr\u00c3\u00b3nica do processo criativo de dois novos talentos que fundem os seus contributos neste split CD que, em vez de reunir a arte de apenas duas partes, gera adicional interesse com a inclus\u00c3\u00a3o de um terceiro interveniente que faz deste disco um objecto triangular \u00c3\u00adntegro e inovador.<\/p>\n<p>\u00c3\u2030 Ok.Suitcase que enceta o delinear da figura geom\u00c3\u00a9trica. Al\u00c3\u00a9m das m\u00c3\u00baltiplas fun\u00c3\u00a7\u00c3\u00b5es que acumula no projecto In Her Space, Andr\u00c3\u00a9 Gon\u00c3\u00a7alves explora, atrav\u00c3\u00a9s do improviso e manipula\u00c3\u00a7\u00c3\u00a3o de som, novas sonoridades sob a designa\u00c3\u00a7\u00c3\u00a3o de Ok.Suitcase. Mune-se da guitarra e recursos de laptop para pavimentar as suas texturas absorventes, assinalando a rota experimental com efeitos e samples (a abundarem em &#8220;04 0506-4&#8221; &#8211; vocaliza\u00c3\u00a7\u00c3\u00b5es adultas vs. candura pueril de quem brinca no parque). 04 &#8211; a metade pertecente a Ok.Suitcase &#8211; prop\u00c3\u00b5e cinco exerc\u00c3\u00adcios que, por sua vez, ditam o direito \u00c3\u00a0 alegoria. Preenche o sil\u00c3\u00aancio de uma manh\u00c3\u00a3 submersa no aeroporto da Portela ou um tortuoso final de tarde vivido em ang\u00c3\u00bastia. Efectua uma oscila\u00c3\u00a7\u00c3\u00a3o pendular entre a melancolia e o j\u00c3\u00babilo conforme o estado de esp\u00c3\u00adrito de quem o escuta. Foco apontado para os seus drones imensos e terceira faixa, prenhe de uma toada mais industrial minada por um crepitar incessante.<\/p>\n<p>O caso de C\u00c3\u00a1ncer \u00c3\u00a9 ligeiramente diferente. Ainda que quaisquer compara\u00c3\u00a7\u00c3\u00b5es sejam trai\u00c3\u00a7oeiras, \u00c3\u00a9 not\u00c3\u00a1vel que o projecto orientado pelo m\u00c3\u00basico chileno evidencia maior maturidade, provavelmente devido \u00c3\u00a0 sua condi\u00c3\u00a7\u00c3\u00a3o mais convencional e acess\u00c3\u00advel. Incoherence Textures aquece motores em modo Thunderbirds (a febre voltou) com um loop \u00c3\u00a0 Boards of Canada a servir de combust\u00c3\u00advel. O mote est\u00c3\u00a1 lan\u00c3\u00a7ado e a por\u00c3\u00a7\u00c3\u00a3o a cargo de C\u00c3\u00a1ncer contrasta da inversa, desde o in\u00c3\u00adcio, pelo tom l\u00c3\u00badico que percorre as faixas, enquanto v\u00c3\u00a1rios acrescentos \u00e2\u20ac\u201c quase sempre beats discretos, lubrificados e epil\u00c3\u00a9pticos \u00e2\u20ac\u201c v\u00c3\u00a3o sendo adicionados e subtra\u00c3\u00addos \u00c3\u00a0 estrutura sonora. As suas faixas valem-se de uma simetria e resson\u00c3\u00a2ncia hipn\u00c3\u00b3ticas que acabam por resultar em algo de dan\u00c3\u00a7\u00c3\u00a1vel. Todos sabemos que os m\u00c3\u00basicos sul-americanos t\u00c3\u00aam uma sensibilidade superior para lidar com o ritmo. Jorge Cort\u00c3\u00a9s prova que isso lhe corre no sangue, e consegue transpor esse talento nato para a sua m\u00c3\u00basica. &#8220;Corre&#8221; balou\u00c3\u00a7a como um ventre \u00c3\u00a0 luz da lua taitiana e a \u00c3\u00baltima faixa coloca a cereja no topo do bolo, deixando \u00c3\u00a1gua na boca de quem, como eu, fica \u00c3\u00a0 espera de novidades do correspondente da Cr\u00c3\u00b3nica em Santiago do Chile.<\/p>\n<p>A concluir o tri\u00c3\u00a2ngulo, men\u00c3\u00a7\u00c3\u00a3o honrosa para o grafismo do mais impressionante booklet que me passou pelas m\u00c3\u00a3os este ano. Se os pomposos vinis de Led Zeppelin deixam todos boquiabertos, n\u00c3\u00a3o ser\u00c3\u00a1 menor o impacto provocado pela brilhante demonstra\u00c3\u00a7\u00c3\u00a3o de criatividade da dupla InsertSilence que transforma o disco numa obra de arte e item de coleccionador a ter em conta. Ap\u00c3\u00b3s trabalhos efectuados para entidades t\u00c3\u00a3o diversas como Bj\u00c3\u00b6rk ou Nike, Amit Pitaru e James Paterson aben\u00c3\u00a7oam-nos com um conceito gr\u00c3\u00a1fico simplesmente assombroso e que vale o pre\u00c3\u00a7o do disco por si s\u00c3\u00b3. Em ano de desmedido patriotismo, aqui fica mais um triunfo luso. Sinal verde para quem procura novos horizontes para os seus horizontes. Avan\u00c3\u00a7ar sem preconceito.<\/p>\n<p>Miguel Ars\u00c3\u00a9nio<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um cyber-vulc\u00c3\u00a3o expele uma lava composta por n\u00c3\u00bameros bin\u00c3\u00a1rios numa m\u00c3\u00a9dia-metragem a preto e branco. 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