“Up, Down, Charm, Strange, Top, Bottom” reviewed by Distorsom

Com um título fisgado na realidade intangível das partículas sub-atómicas, Up, Down, Charm, Strange, Top, Bottom é o sétimo álbum dos portugueses @C, e o terceiro na sua própria editora. Os ficheiros que estiveram na origem do disco foram registados entre 2002 e 2007, em diferentes locais espalhados por vários países, incluindo apresentações ao vivo, field recordings e trabalho de estúdio, e também na samplagem de outros músicos que com eles se cruzaram em estúdio ou em concertos. O CD reflecte essa diversidade na sua proposta sonora e na estrura pouco convencional. Dos quatro temas que o compõem dois destacam-se pela alta minutagem: o primeiro, “62”, com cerca de 20 minutos e o último, “61” com o dobro dessa duração; entre eles dois curtos interlúdios, “71” e “72”, que não chegam aos 2 minutos. Num processo de composição que os próprios autores compararam ao trabalho de escultura – no modo como a parte interage com o todo – ou com a fotografia – na opção do enquadramento – o álbum pôs questões sobre modelos de realização, formatos, e a própria essência do que é expectável num CD – no fundo, um objecto que se torna em música cada vez que é tocado. Não se contando entre os nomes mais conhecidos na área do microsom, o duo de Miguel Carvalhais e Pedro Tudela tem dado contribuições importantes ao género, e Up, Down, Charm, Strange, Top, Bottom não é, nesse ponto, uma excepção.