“King Glitch” reviewed by Blitz

Afinal a banda sonora de Life Aquatic With Steve Zissou , o filme de Wes Anderson, estava escondida. Aquelas canções do Bowie pelo Seu Jorge foram uma medida de recurso. O projecto inicial é este, seguramente recusado por excesso de excessos – o que até se compreende.

King Glitch faz o compromisso entre a serenidade subaquática e a alucinação das profundezas. Os níveis de inspiração medem-se por rarefacção, no limite do azul, com os alvéolos a rebentar por uma golfada de oxigénio. Só assim se compreende um disco destes: os ritmos tacteiam a ferrugem, os ecos rumorejam em cascos abandonados, a superfície é uma realidade paralela. Não tem nexo, mas há promessas de bem estar para lá da hipotermia. Vale a pena ir ficando.

Uma chamada de atenção para alguns títulos: «Bridge Over River Glitch», «Bring Him Up to Now» ou «The Ones Who Hurt Are the Ones Who Surfer». A eventual explicação está neste ultimo: «Our Fantasy Is Stronger Than Yours». É tudo verdade; parece que Heimir Björgúlfsson e Jonas Ohlsson gravaram o disco em Amesterdão, mas era sargaço o que lhes enchia as mortalhas. No submarino a que chamam estúdio a electrónica é uma epopeia à deriva. Não falta, sequer, o toque exótico, como se o baile funk sonhasse com corais e o grime com salitre (se é que já não o fazem). O resto vai aparecendo no radar para nos desviar as rotas. É para avançar, sem medo, até ao deserto. 8/10

Sérgio Gomes da Costa

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