“A Compressed History of Everything Ever Recorded, Vol. 1” reviewed by Bodyspace

A priori de qualquer ensaio que seja útil elaborar em redor de A Compressed History of Everything Ever Recorded, Vol.1, é importante dar conta do carácter muito pouco personalizado que um objecto como este álbum encerra. “Written and composed by everyone”, lê-se a dada altura no package do disco. O que é, então, Autodigest? Mais não é do que “uma simulação de processos de implosão cultural”, o que imprime ao disco um carácter que não lhe permite ser inscrito num qualquer período temporal ou espaço físico. Nasce, também por isso, numa época que não é a sua, porque nenhuma o é.

Posto isto, passemos ao que realmente interessa. O título é estranho. A música também, mas de uma estranheza diferente. A linha convencionou-se apelidar de avant-garde ou electrónica inteligente, e raramente deixa moças latejantes de sentimentos profundos. É cerebral, pensada e criada em frente ao laptop de máquinas que foram feitas para obedecer a comandos. Não que perca quaisquer pontos por isso, antes dificulta a sua audição, que parece não querer revelar-se demasiado rapidamente e se esconde timidamente por detrás de sombras e vultos difusos. Quando se revela, deixa quase sempre marcas profundas. Como num impacto, os estilhaços rebentam, saltam e voam. Sempre ao ritmo dos sons. O título, “A Compressed History of Everything Ever Recorded”, é curioso e enquadra-se num conceito imaginativo. Comprimir toda a história da música gravada (que é, essencialmente, a do séc. XX e início de séc. XXI) em pouco menos do que 1 hora pode parecer tarefa impossível. Mas apesar disso, dizemos nós, este disco representa também toda a música que ainda está por gravar. Os sons comportam amplitudes extensas e quando não fazem doer os ouvidos, não se tem a certeza se de facto se está a ouvir alguma coisa.

No final, um pequeno vídeo deixa a pairar no ar uma ideia de antítese face a tudo o que se ouviu antes. Depois da crónica burlesca, da confusão amoral e da experimentação total, uma faixa multimédia, quase sempre silenciosa e quase sempre escura – só o deixa de ser por menos de 1 segundo, quase no final, para não se entender muito bem o que é mostrado – de seu nome “A Possible Antidote” é como que um tratamento de choque. Depois da tempestade, a bonança.

Tiago Gonçalves

“A Compressed History of Everything Ever Recorded, Vol. 1” reviewed by The Wire

Referencing postmodern theorist David Harvey’s concept of “time-space compression” as well as a soupçon of Jean Baudrillard, Autodigest can be interpreted either as a sonic illustration of culture consuming itself or a kind of archive of byte sized flickers from the dying embers of cultural diversity, depending on each syllable you choose to stress in the word “digest”. Luckily for the listener, there is a lot more in this album than a neat idea. The sounds of whooshing datastreams sucked into the black hole of info meltdown may be horribly prescient conceptually, but they are great sounds nevertheless.

Keith Moliné

“A Compressed History of Everything Ever Recorded, Vol. 1” reviewed by D-Side

Plus qu’un project, Autodigest est un concept porté à son point le plus extrême. Pas d’auteur, pas de dates et pas de lieu de naissance. Juste une ambition démesurée, celle de compiler tout ce qui a jamais été enregistré par l’être humain.

On se doute, musicalement, le résultat n’a que peu de chances d’être reconnaisable, tant les procédures de compression appliquées ici ont été radicales. Décrit par ses non-auteurs comme l’equivalent sonore d’un trou noir, Autodigest s’em rapproche effectivement, tant on a l’impression de perdre pied, d’essayer en vain de comprendre un dialogue crépitant entre des milliards de processeurs éparpillés, tant les ralentis parfois brusques et les bribes vaguement audibles rendent l’ensemble à la fois crispant et intriguant, le summum étaint atteint par la simple second live de “60 Hours in One Second”. Ajoutez-y une “vidéo” (une minute d’ecan noir pour une simple image contenant probablement tout ce qui a jamais été filmé) et vous serez prêts à plonger au-delà du réel une fois pour toutes.

Jean-François Micard

“A Compressed History of Everything Ever Recorded, Vol. 1” reviewed by Blow Up

L’idea è curiosa: comprimere all’inverosimile “tutto quanto sia stato mai registrato” in un’ora e un secondo, fino ad avere un risultato sonoro che si dichiara “una sorta di buco negro che ha assorbito ogni suono che sia stato fatto finora” e che nella realtà è un misto tra macelli di digital noise merzbowiano e rarefatta ambien isolazionista.

Ovviamente il responsabile della sigla Autodigest non sarà riuscito a portare a termine un’impresa simila ma già il fatto che lo dichiari – ovviamente citando anche Baudrillard nelle note – è di per sé un del segnale dell’imminente fine del mondo, per dirla con Michele Serra. Sublime è dir poco.

Stefano I. Bianchi

“On Paper” reviewed by Blitz

Parte-se então para novos processos de abstracção/concretização. É precisamente desta dicotomia entre a abstracção e a concretização que vive a compilação On Paper. É que, partindo de uma realidade concreta – o sample com papel a ser rasgado -, o seu processamento será sempre uma abstracção em relação a esta, bem como a construção de uma nova realidade concreta. Em suma, uma faixa que parta numa direcção mais abstracta em relação ao ponto de partida poderá também aproximar-se de uma realidade musicalmente mais concreta (ou não).

O exemplo pode ser materializado pelas duas faixas de b.Z_toneR; “Let’s Get Lost” atira para memórias recônditas a sua génese para se aproximar de terrenos convencionais, enquanto que “In and Out of Love” tem ainda os golpes desferidos no papel – sendo também uma faixa musicalmente mais abstracta. Na mesma linha temos o tema de Stephan Mathieu, circular como o silvo de um carrossel envolto em algodão doce (os rasgões andam lá longe, imperceptíveis). Com Vitor Joaquim acontece o mesmo, com o segundo tema, mais incisivo e rítmico, a adquirir uma maior personalidade.

Queremos com isto dizer que On Paper ganha claramente nos temas em que a consciência harmónica, rítmica ou até melódica toma os comandos, tornando-se quase invisível nos temas que se aproximem de realidades conceptuais/ambientais/sonoplásticas – riscar a(s) que não interesse(m). 6/10

Sérgio Gomes da Costa

“A Compressed History of Everything Ever Recorded, Vol. 1” reviewed by Kindamuzik

Pretentieuze titel natuurlijk, dat A Compressed History of Everything Ever Recorded. Kan uiteraard nooit kloppen, want niemand kan *alle* opnames die ooit gemaakt zijn bezitten. Misschien bedoelen ze (of hij of zij of wat dan ook, want Autodigest blijft hartstikke anoniem) alle opnames die zij gemaakt hebben. Wat dan weer een stuk plausibeler is, inderdaad.

Feit is wel dat de indrukwekkende stukken vol noise en drones volledig bestaan uit gecomprimeerde, versnelde opnames van totaal onherkenbare bronnen. Soms lijk je een individueel element uit deze donkergrijze brei te kunnen herkennen, maar neem van mij aan dat dat pure inbeelding is. Nee, deze verontrustende geluidssculpturen staan volledig op zichzelf, en door de enorme dichtheid en hectiek van het geluid is het album nogal een aanslag op het incasseringsvermogen. En dan mag er wel wat luchtigheid in verborgen zitten in de vorm van titels als ‘Compression 7 (Oops I Mixed It Again)’ of ’60 Hours In 1 Second (live in Stockholm, May 24, 2002)’, makkelijker beluisterbaar wordt het er niet door.

Beter toeven is het in het angstaanjagende, dertien minuten lange ‘Expansion’, dat op indrukwekkende manier zacht voortdronet en net zo makkelijk een soundtrack voor een obscure science-fiction zou kunnen zijn als voor de dromen van een waanzinnige. Brrr, om bang van te worden… Toch, als de rest van het album ook zo was geweest hadden we hier te maken met een instant klassieker. Nu is het afwachten wat Vol.2 ons gaat brengen.

Bas Ickenroth

“On Paper” reviewed by REP

O artista plástico e músico electroacústico Pedro Tudela propôs a uma série de músicos (…) o desafio de reciclarem os sons do registo de uma manipulação sua de cartazes publicitários retirados das paredes do Porto, cartazes sobrepostos a outros cartazes, em várias camadas de papel engrossados e endurecidos pela cola, a chuva e o sol. O trabalho realizado por Tudela tem uma forte dimensão conceptual, sendo o papel tratado simultaneamente como superfície, suporte e medium, o que implica interessantes relações entre as ideias de espaço e acção – para além das características particulares de uma matéria como esta já carregada de informação, ainda que informação deturpada, tornada numa abstracção de sentido. A gravação original foi incluída, o que nos proporciona uma melhor ideia das transformações operadas pelos participantes nesta colectânea. (…) Particularmente felizes são as intervenções de Paulo Raposo, Stephan Matthieu e Pure, mas o todo desta edição torna-a na mais interessante até à data do selo Crónica.

Rui Eduardo Paes

“On Paper” reviewed by Octopus

Originaire du Portugal, le label Crónica propose avec On Paper une prolongation musicale sur le thème de la manipulation de la matière, et en particulier, comme son titre l’indique, du papier. Collage-décollage-coupage, la réflexion sur les gestuelles et pratiques communes à l’utilisation du papier at à la création musicale électronique sert de poiunt d’ancrage à l’intervention de plusieurs artistes réputés dont Stephan Mathieu, Pal ou les Portugais Vitor Joaquim et Pedro Tudela. Papier de verre ou papier glacé, les sensations tactiles at auditives se marient avec bonheurs dans les moutures musicales allant de la musique concrète à l’ambient industriel.